Uma moça tímida, um rapaz agressivo, um iniciante e egocêntrico escritor (algum não será egocêntrico?), uma pálida filósofa e um estudante de medicina (mal) casado com uma gostosa (que chegou mais tarde), eu e outros calados. Todos em torno do analista. Assim foi a sessão de !Runners, ontem no Espaço Cênico. Como será hoje não sei, pois esta peça (ou terapia?) apresentada pelo grupo carioca Proposta A6, assinada por Cristina Teixeira, abre espaço para novos participantes.
A roda é de uma conversa no palco, sem paredes ator-plateia. Misturado ao elenco, o público desconhece no início quem ali vai representar. Há um texto, uma linha já traçada, mas o jogo de !Runners explicita uma brecha: se algum espectador tomar à frente, falar de si, os atores "reais" vão (e terão que) aturá-lo.
A desconfiança de que !Runners limita-se a uma peça teatral disfarçada de terapia é enterrada com nada previsível reviravolta de papéis. Ontem, não sobrou um porto seguro. Mais eu não conto. De !Runners periga você receber alta de um ótimo grupo de atores (a começar pelo “analista-condutor” Marcio Augusto) e constatar que, por mais real que seja, a confissão em público é também um teatro.
!Runners tem sessões hoje (27, 15h) e amanhã (28, 15h) no Espaco Cênico (Paulo Graeser Sobrinho, 305 - Mercês).
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sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
A maldição ou como fazer teatro de bonecos sem bonecos. Funciona!

A Cia Nuvem da Noite transformou A Maldição do Vale Negro, texto do Caio Fernando Abreu e Luiz Arthur Nunes (já encenado com sucesso, Camila Pitanga e Marcos Breda), num teatro de bonecos sem boneco algum. E não é que funcionou, minha gente? No final das boas contas, a maldição ganhou cara infantil, sem perda do conteúdo adulto. Mais explícito: é "infantil", mas não leve as crianças.
“Teatro de bonecos sem boneco?” Tentarei descrever: num cenário de fundo preto, todos os atores usam malha preta; colado às malhas, as coloridas e pequenas vestes dos personagens. Não se fui claro (a foto acima explica melhor), mas tive realmente a sensação de ver bonecos no palco.
Agora, do que se trata: no século 19, um conde francês acolhe em seu castelo uma jovem órfã; adulta, ela será cortejada por um duque, para tormento do conde, e viverá, no meio do mato, encontros e desencontros típicos da telenovela que você acha ridícula.
Entre tragédias, comédias e uma trepada dos bonecos, um simpático vovô atua como narrador no canto do palco. Gostaram, crianças?
*****
Quero destacar o casal de ciganos, mas não sei os nomes dos atores. Vou me informar e depois incluo no texto.
*****
A Maldição do Vale Negro, da Cia Nuvem da Noite, de Ribeirão Preto-SP, foi apresentada na Casa Hoffman, entre os dias 21 e 24 de março.
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quarta-feira, 24 de março de 2010
BarbAzul: selvagem com graça e guitarra
O teatro Belo Horizonte tem o dom dos bons duetos de atores (vide Vestido - Bandeira - Batom, aqui visto em 2008, entre outros). A boa nova a dois é BarbAzul, do grupo Andante, que recria com originalidade o Barba Azul, que o contista francês Charles Perrault inventou no século 17.
“Tudo certo como dois e dois são cinco”, a canção de Roberto e Erasmo Carlos, abre na voz de Ângela Mourão e na guitarra de Beto Militani. Encerrada a canção, o duo Ângela e Beto finge impregnar um ar classudo-chato à história (confesso que temi...) até que a atriz interrompe e sugere outra forma de contá-la, como a dizer "assim não vai!". Maravilha!
Pra quem chegou agora: a irmã caçula é cortejada por Barba Azul, cujo esporte é cortar a cabeça de suas mulheres. Não fique chocado. Há muita graça aqui. A melhor é narrá-la como uma fábula remota de florestas e castelos e mostrá-la como um filme atual: quando sedutor, jazz ao fundo, Barba oferece jantares e vestidos à mais uma que tardará a perceber que “dois e dois são cinco”.
Bons constrates partem dos objetos de cena, carregados pelos atores: a moldura que funciona como porta ou janela é também a forca. A enorme molho de chaves ao ser arrastado é a incômoda corrente. E, na última boa ideia, este BarbAzul deixa o final em aberto. As mulheres que respondam se ele ainda age na floresta.
*****
BarbAzul, do grupo Andante, foi apresentada nos dias 23 e 24 no Teatro Novelas Curitibanas.
“Tudo certo como dois e dois são cinco”, a canção de Roberto e Erasmo Carlos, abre na voz de Ângela Mourão e na guitarra de Beto Militani. Encerrada a canção, o duo Ângela e Beto finge impregnar um ar classudo-chato à história (confesso que temi...) até que a atriz interrompe e sugere outra forma de contá-la, como a dizer "assim não vai!". Maravilha!
Pra quem chegou agora: a irmã caçula é cortejada por Barba Azul, cujo esporte é cortar a cabeça de suas mulheres. Não fique chocado. Há muita graça aqui. A melhor é narrá-la como uma fábula remota de florestas e castelos e mostrá-la como um filme atual: quando sedutor, jazz ao fundo, Barba oferece jantares e vestidos à mais uma que tardará a perceber que “dois e dois são cinco”.
Bons constrates partem dos objetos de cena, carregados pelos atores: a moldura que funciona como porta ou janela é também a forca. A enorme molho de chaves ao ser arrastado é a incômoda corrente. E, na última boa ideia, este BarbAzul deixa o final em aberto. As mulheres que respondam se ele ainda age na floresta.
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BarbAzul, do grupo Andante, foi apresentada nos dias 23 e 24 no Teatro Novelas Curitibanas.
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segunda-feira, 22 de março de 2010
Há Um Crocodilo..., o encanto das bonecas coloridas e cheias de desencanto

Dóceis na embalagem, amargas no conteúdo, duas bonecas encantadoramente coloridas (uma de verde, outra de rosa) anunciam o desencanto em Há um Crocodilo Dentro de Mim, peça criada a seis mãos, pela diretora Silvana Garcia e pelas atrizes Amanda Lyra e Maria Tuca Fanchin.
As personagens revelam mais que um crocodilo. Povoam o diálogo metáforas com lobo, macaco, cavalo, presentes também em formas de objeto. Desta conversa espere um zoológico, mas jamais um ser humano (ou desumano, como querem as bonecas). O encontro com este é algo a ser evitado, a reprodução deste é algo a ser morto num balde, uma das peças deste cenário sem luxo (acompanham duas cadeiras sem assento, uma velha geladeira e um painel de isopor).
Só não fica claro a relação disto tudo com a história de grandes edifícios, como o das torres gêmeas de Nova Iorque, anunciados por Amanda, que faz da geladeira um palanque e eu faço aqui um infame trocadilho: o palanque da geladeira dá uma gelada na história.
Abre a peça um filme quase preto-e-branco do concreto da metrópole (São Paulo). Só as bonecas têm cores. No palco, a distância entre o texto (amargo) e o figurino (colorido) caminha, apesar dos pesares, para um belo encontro.
Há Um Crocodilo Dentro de Mim, montagem do grupo Conteúdo, de São Paulo, foi apresentada entre os dias 17 e 20 no Teatro Universitário de Curitiba (galeria Júlio Moreira).
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domingo, 21 de março de 2010
Sem Concerto, com o aplauso do Gustavo

Gustavo tem dez anos, mora e estuda perto do Parque São Lourenço e não sabia que há um festival de teatro em Curitiba. Porém, sábado passado (20), ao notar que haveria espetáculo no teatro do parque (o Cleon Jacques), ele correu pra lá e ainda arrastou seu irmão, de onze anos.
O piá não pronuncia termos como “nonsense” ou “metalinguagem”, coisas que o duo Circo Amarillo pratica com diálogos, malabarismo, mímica e música. Mesmo sem tal vocabulário, Gustavo e seu irmão riram à beça com as trapalhadas dos artistas que conseguem gravar o “único e último disco” (de vinil), que logo quebra (ó, coitados!), e tentam se apresentar sem ser interrompidos pelo celular (de ambos).
Os “amarillos” são ótimos e têm uma boa notícia para os amigos e parentes do Gustavo e até para quem nem o conhece: Sem Concerto, o tal espetáculo, fica até sábado (27) no São Lourenço. O Gustavo aplaudiu de pé!
*****
Sem Concerto, criação do Circo Amarillo, de Rio Cuarto-Argentina. Teatro Cleon Jacques (Parque São Lourenço). Até o dia 27 (18h). Ingressos a R$ 30 e R$ 15.
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Em busca de gênios gringos, cidadezinha faz rir
Uma comédia escrita por Joaquim Manoel de Macedo (A Torre em Concurso) no século 19 caiu nas mãos do grupo Teatro Meio, que soube bem atualizá-la. O resultado é a divertida O Gênio em Concurso.
O ambiente é a pequena Cabelinhas, cidade que, para aparecer no mapa, quer oferecer ao planeta um gênio da informática. Os habitantes desta ficção (só eles?) acham que os estrangeiros são melhores em tudo. Então, nada de brasileiro! Iniciada a disputa entre os candidatos a peritos, vêm os cacoetes de uma campanha política, incluindo o horário eleitoral na televisão.
Esta comédia une em várias canções as letras de uma com a melodia de outra. O melhor exemplo: a lenta Devolva-me, de Lilian Knapp (aquele sucesso voz-e-violão de Adriana Calcanhoto: “Rasgue as minhas cartas e...) ganhou os versos de Cerol na Mão, do agitado Bonde do Tigrão. Este achado musical tem potencial para um espetáculo à parte e uma contraindicação: por vezes, esfria a história (o que me fez, ao final, aplaudir com moderação).
*****
O Gênio em Concurso, montagem do grupo Teatro Meio-SP. Teatro da Caixa (Conselheiro Laurindo). Dia 21 (18h). R$ 20 e R$ 10.
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sábado, 20 de março de 2010
Perfídia, a radionovela surrealista
Sob o gentil patrocínio da companhia Fé Cênica, sobe ao palco a comédia Perfídia Quase Perfeita, uma celebração da radionovela dos anos 50. Atenção, caros ouvintes! Não se trata apenas de uma volta ao passado. Perfídia é uma comédia surrealista!
Aonde quer que cheguem as ondas da PRC-6, um casal não discute a relação (isto só entraria em vigor nos anos 60), mas sobre qual deles dois morreu: ele ou ela? No intervalo desta mórbida trama, o mesmo e hilário dueto de atores (Geraldo Machado e Claudiane Carvalho) diverte ao anunciar os patrocinadores, intercalados com a animação do locutor-padrão da rádio (Claudio Marinho).
Os ouvintes mais escolados no cancioneiro romântico brasileiro percebem, nas falas dos canastrões, trechos de clássicos, como Negue, de Adelino Moreira, e Meu Mundo Caiu, de Maysa. Bem bolado! Porém, aqui reside um perigo: quem desconhece estas canções não acha graça. Costurar as antigas citações com algumas mais recentes, tipo Roupa Nova ou Zezé di Camargo e Luciano, é uma sugestão, meu caro Carlos Correia (autor da peça).
Mas... ora, ora, ora! Não é porque fiz um reparo, que vou o cortar divertimento dos ouvintes. O melhor ainda está por vir! Telefone no ar e... quem está na linha? A mãe de um dos personagens, indignada com o rumo da história. É ou não é surreal, ouvintes?
Perfídia Quase Perfeita, da companhia Fé Cênica-SP, foi apresentada no Teatro Lala Schneider, entre os dias 18 e 20 de abril.
Aonde quer que cheguem as ondas da PRC-6, um casal não discute a relação (isto só entraria em vigor nos anos 60), mas sobre qual deles dois morreu: ele ou ela? No intervalo desta mórbida trama, o mesmo e hilário dueto de atores (Geraldo Machado e Claudiane Carvalho) diverte ao anunciar os patrocinadores, intercalados com a animação do locutor-padrão da rádio (Claudio Marinho).
Os ouvintes mais escolados no cancioneiro romântico brasileiro percebem, nas falas dos canastrões, trechos de clássicos, como Negue, de Adelino Moreira, e Meu Mundo Caiu, de Maysa. Bem bolado! Porém, aqui reside um perigo: quem desconhece estas canções não acha graça. Costurar as antigas citações com algumas mais recentes, tipo Roupa Nova ou Zezé di Camargo e Luciano, é uma sugestão, meu caro Carlos Correia (autor da peça).
Mas... ora, ora, ora! Não é porque fiz um reparo, que vou o cortar divertimento dos ouvintes. O melhor ainda está por vir! Telefone no ar e... quem está na linha? A mãe de um dos personagens, indignada com o rumo da história. É ou não é surreal, ouvintes?
Perfídia Quase Perfeita, da companhia Fé Cênica-SP, foi apresentada no Teatro Lala Schneider, entre os dias 18 e 20 de abril.
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O Esquema diverte, mas eu quero mais Alcione
Ayrton Baptista Junior
Especial para o Bem Paraná
Chama-se O Esquema, mas sugiro que o ator e autor Diego Fortes mude o nome desta comédia, a nova da companhia Armadilha, para Alcione ou O Carro Não Compensa (já explico o porquê). Título à parte, quem cair nesta armadilha tem boas chances de rir.
Dois sujeitos que ganham a vida fantasiados de bichos em eventos, um assaltante, uma senhora desiludida (destaque para a atriz Jussara e uma radialista de conselhos sentimentais são os personagens. No início, eles são dispostos como em esquetes, parecendo não pertencer à mesma trama.
Na lógica de O Esquema, o carro é a dor de cabeça de quem não pode pagá-lo e também o que levará mais cedo ao serviço quem adoraria chegar mais tarde. Enfim, uma desgraça motorizada.
E a Alcione com isso? É ao repertório da cantora que dois personagens, não na mesma cena, recorrem. E esta libertária de emoções, a Alcione, poderia ser ainda mais explorada, pois é um ótimo contraponto ao ambiente de balada tecno que permeia sonora (DJ Selector Z, ao vivo) e visualmente a peça.
O Esquema diverte. Só o que complica (um pouco) são as pausas do diálogo central, o dos fantasiados, para a fala da radialista. Ainda que esta personagem intervenha decisivamente, mais adiante, a alternância quebra o bom ritmo. Nada, porém, que o samba da Alcione não possa consertar.
O Esquema, montagem da companhia Armadilha, de Curitiba. Teatro Universitário de Curitiba (galeria Julio Moreira, s/nº). Dias 21 (14h), 22 (17h) e 23 (14h). Ingressos a R$ 12.
Especial para o Bem Paraná
Chama-se O Esquema, mas sugiro que o ator e autor Diego Fortes mude o nome desta comédia, a nova da companhia Armadilha, para Alcione ou O Carro Não Compensa (já explico o porquê). Título à parte, quem cair nesta armadilha tem boas chances de rir.
Dois sujeitos que ganham a vida fantasiados de bichos em eventos, um assaltante, uma senhora desiludida (destaque para a atriz Jussara e uma radialista de conselhos sentimentais são os personagens. No início, eles são dispostos como em esquetes, parecendo não pertencer à mesma trama.
Na lógica de O Esquema, o carro é a dor de cabeça de quem não pode pagá-lo e também o que levará mais cedo ao serviço quem adoraria chegar mais tarde. Enfim, uma desgraça motorizada.
E a Alcione com isso? É ao repertório da cantora que dois personagens, não na mesma cena, recorrem. E esta libertária de emoções, a Alcione, poderia ser ainda mais explorada, pois é um ótimo contraponto ao ambiente de balada tecno que permeia sonora (DJ Selector Z, ao vivo) e visualmente a peça.
O Esquema diverte. Só o que complica (um pouco) são as pausas do diálogo central, o dos fantasiados, para a fala da radialista. Ainda que esta personagem intervenha decisivamente, mais adiante, a alternância quebra o bom ritmo. Nada, porém, que o samba da Alcione não possa consertar.
O Esquema, montagem da companhia Armadilha, de Curitiba. Teatro Universitário de Curitiba (galeria Julio Moreira, s/nº). Dias 21 (14h), 22 (17h) e 23 (14h). Ingressos a R$ 12.
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Voluntários do HC
O guia do Festival de Curitiba não informa que a peça Amor e Loucura é uma criação de funcionários do Hospital de Clínicas. Eles compõem o grupo Anticorpus e promovem uma reunião de sentimentos: o Amor, a Inveja, a Euforia, a Loucura. A Curiosidade é: quem substitui o Bom Senso, que ameaça se aposentar?
Não quero ser a Verdade: o público do festival, sem saber que a peça é assumidamente amadora, não terá a mesma tolerância. Também não quero ser o Estraga-Prazeres: creio que a iniciativa, se levada para crianças em hospitais, vai funcionar.
Amor e Loucura, do grupo Anticorpus, de Curitiba. Casa Hoffman (Largo da Ordem). Dias 19 (15h) e 20h (18h), Ingressos a R$ 20.
Não quero ser a Verdade: o público do festival, sem saber que a peça é assumidamente amadora, não terá a mesma tolerância. Também não quero ser o Estraga-Prazeres: creio que a iniciativa, se levada para crianças em hospitais, vai funcionar.
Amor e Loucura, do grupo Anticorpus, de Curitiba. Casa Hoffman (Largo da Ordem). Dias 19 (15h) e 20h (18h), Ingressos a R$ 20.
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Platéia única
1
Público pagante de duas peças de ontem no Fringe.
Ator que é ator encena até para as paredes.
Os de Depoimento , de Londrina, no Solar do Barão, toparam. Quem pagou foi uma estudante de jornalismo. Obrigado.
A outra foi Os Antônio, de Ribeirão Preto-SP. Na saída da Casa Vermelha, o “público” elogiou os atores Paulo Oliveira e Ricardo Casella.
Público pagante de duas peças de ontem no Fringe.
Ator que é ator encena até para as paredes.
Os de Depoimento , de Londrina, no Solar do Barão, toparam. Quem pagou foi uma estudante de jornalismo. Obrigado.
A outra foi Os Antônio, de Ribeirão Preto-SP. Na saída da Casa Vermelha, o “público” elogiou os atores Paulo Oliveira e Ricardo Casella.
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Risos com Raul Franco e “Carla Carolina”
Breno Guimarães faz tipos: o lutador de toscas palavras e a cantora Carla Carolina, que ameaça duetos com falecidos famosos da música brasileira. Raul Franco faz humor com cara limpa, debochando daquelas letras que cantamos errado (tipo “alagados, frankstein” do Paralamas do Sucesso). Ambos são muito bons. A fama não vai demorar e Vale Tudo para Rir cumpre o que promete (mas o vídeo que acompanha a peça, com as trapalhadas do lutador, é dispensável).
Verifique se na plateia está a atriz e cantora Debora Walz, de TPM para Mulheres. Com a risada dela, a peça fica mais engraçada.
Ô, Breno! Tô achando que a Carla Carolina rende mais que o lutador. Explore mais esta filha de nossa senhora do acarajé avatapado.
*****
Vale Tudo para Rir (Um Nocaute no seu Humor). Montagem carioca. Teatro Cultura (praça Garibaldi, 39). Telefone: 3224 7581.
Verifique se na plateia está a atriz e cantora Debora Walz, de TPM para Mulheres. Com a risada dela, a peça fica mais engraçada.
Ô, Breno! Tô achando que a Carla Carolina rende mais que o lutador. Explore mais esta filha de nossa senhora do acarajé avatapado.
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Vale Tudo para Rir (Um Nocaute no seu Humor). Montagem carioca. Teatro Cultura (praça Garibaldi, 39). Telefone: 3224 7581.
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Sujos: miséria sem coitadismo e com sapateado
São dois maltrapilhos (os atores Léo Kufner e Rafael Koehler) que vivem entre caixotes. Dirá você: mais miséria? Cheio de “sifudê” e com muito baba, a do ator (Léo) cara-a-cara com o público sentado no palco do Teatro Londrina.
Miséria, nada óbvia: Sujos, a peça em questão, não convida ao coitadismo. Até provoca: leve o mendigo pra casa e veja o que vai acontecer. Menos óbvio: na fantasia de musical de Hollywood (é os maltrapilhos sonham!), os atores mandam bem no sapateado.
*****
Sujos, montagem do grupo K, de Blumenau. Texto: Gregory Haertel. Direção: Pépe Sedrez. Sala Londrina (Memorial de Curitiba), dias 17 (18h), 18 (21h), 19 (12h) e 20 (15h). Ingressos a R$ 20 e R$ 10.
Miséria, nada óbvia: Sujos, a peça em questão, não convida ao coitadismo. Até provoca: leve o mendigo pra casa e veja o que vai acontecer. Menos óbvio: na fantasia de musical de Hollywood (é os maltrapilhos sonham!), os atores mandam bem no sapateado.
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Sujos, montagem do grupo K, de Blumenau. Texto: Gregory Haertel. Direção: Pépe Sedrez. Sala Londrina (Memorial de Curitiba), dias 17 (18h), 18 (21h), 19 (12h) e 20 (15h). Ingressos a R$ 20 e R$ 10.
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Agulhas de Depoimento cutucam atores, público e sistema de saúde
Ayrton Baptista Junior,
Especial para o Bem Paraná
Para saber o que é a dor é preciso senti-la. Você já ouviu isto em algum lugar. Na peça Depoimento, que aborda o caos da saúde pública, aborto e tabus da sexualidade, a dor não é discurso. Ela é sentida literalmente pelo trio de atores do grupo Protótipo Utópico, de Londrina.
Inicia a história uma vítima de fratura no pé (Monica Bernardes), que espera três horas na fila de um hospital. A seguir, o andrógino (Normando Amazonas) aborta.
Acompanha a ação uma mesa com medicamentos, uma chapa para fritar bife e uma bacia. Parece dramático. E é, mas também é questionador da reação da própria platéia, pois nos é permitido conversar, andar, falar com os atores e até ao celular e rir da desgraça alheia.
Eu ri sem esconder enquanto Monica Bernardes quase vomitava ao comer bife de fígado, o que ela confessou odiar. E conversei tranquilamente com o ator-diretor Aguinaldo de Souza vendo o público o alfinetar com agulhas e ele tirar sangue da própria veia antes de rastejar até a calçada. Não é que eu seja sádico. É que Depoimento vai além do sofrimento ou do caos do sistema de saúde. É uma ótima quebra de barreira ator-personagem. Crítica ou exibicionismo? Some os dois e tenha uma contundente provocação.
Faltou mais daqueles incômodos cheiros de medicamento e alguns penicos para o espectador vomitar. São os únicos senões desta performance (e eu não sou de embarcar em qualquer performance). É que neste Depoimento quanto maior o mau gosto melhor o gosto.
*****
Depoimento, montagem escrita e encenada pelo grupo Protótipo Utópico, de Londrina. Solar do Barão (Carlos Cavalcanti, 533), dias 17 (16h), 18 (19h), 19h (22h) e 20 (13h). Ingressos a R$ 20 e R$ 10. Telefone: (41) 3321 3367.
Especial para o Bem Paraná
Para saber o que é a dor é preciso senti-la. Você já ouviu isto em algum lugar. Na peça Depoimento, que aborda o caos da saúde pública, aborto e tabus da sexualidade, a dor não é discurso. Ela é sentida literalmente pelo trio de atores do grupo Protótipo Utópico, de Londrina.
Inicia a história uma vítima de fratura no pé (Monica Bernardes), que espera três horas na fila de um hospital. A seguir, o andrógino (Normando Amazonas) aborta.
Acompanha a ação uma mesa com medicamentos, uma chapa para fritar bife e uma bacia. Parece dramático. E é, mas também é questionador da reação da própria platéia, pois nos é permitido conversar, andar, falar com os atores e até ao celular e rir da desgraça alheia.
Eu ri sem esconder enquanto Monica Bernardes quase vomitava ao comer bife de fígado, o que ela confessou odiar. E conversei tranquilamente com o ator-diretor Aguinaldo de Souza vendo o público o alfinetar com agulhas e ele tirar sangue da própria veia antes de rastejar até a calçada. Não é que eu seja sádico. É que Depoimento vai além do sofrimento ou do caos do sistema de saúde. É uma ótima quebra de barreira ator-personagem. Crítica ou exibicionismo? Some os dois e tenha uma contundente provocação.
Faltou mais daqueles incômodos cheiros de medicamento e alguns penicos para o espectador vomitar. São os únicos senões desta performance (e eu não sou de embarcar em qualquer performance). É que neste Depoimento quanto maior o mau gosto melhor o gosto.
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Depoimento, montagem escrita e encenada pelo grupo Protótipo Utópico, de Londrina. Solar do Barão (Carlos Cavalcanti, 533), dias 17 (16h), 18 (19h), 19h (22h) e 20 (13h). Ingressos a R$ 20 e R$ 10. Telefone: (41) 3321 3367.
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Viciado em Fringe
Doutor, eu tentei. Juro! Mas os dias do festival foram chegando e eu não queria ficar de fora. E assim, doutor, caí no vício, ou melhor, sigo no vício de vasculhar o Fringe, às vezes entrando em peças das quais sequer sei o nome.
Desta vez, vou comentar em duas frentes: para o portal Bem Paraná e num blog que acabei de criar: o Tudo Tusquinha, mais coloquial.
Fique calmo, doutor! Não vou deixar de almoçar. Só falo de teatro depois de falar de futebol no Craques e Caneladas (o blog que me paga todo mês). Domingo, dia de futebol, nem pensar.
No máximo, verei 3 peças por dia. Sacumé, doutor, pra encontrar diamantes é preciso garimpar e no garimpo as pedras de pouco valor também são inevitáveis.
Ah... doutor. Também farei o “sacrifício” de ver peças da Mostra Contemporânea. Afinal, ver peças a rodo e não ver Silvia Lourenço em As Meninas (sou fã dela e do livro da Lygia Fagundes Telles) seria digno do analista de teatro (analista eu?) voltar ao analista.
Agora vou, doutor. Pra mim, tudo é festa. Digo, tudo é festival!
O que achou do Coxa, ontem, doutor?
Desta vez, vou comentar em duas frentes: para o portal Bem Paraná e num blog que acabei de criar: o Tudo Tusquinha, mais coloquial.
Fique calmo, doutor! Não vou deixar de almoçar. Só falo de teatro depois de falar de futebol no Craques e Caneladas (o blog que me paga todo mês). Domingo, dia de futebol, nem pensar.
No máximo, verei 3 peças por dia. Sacumé, doutor, pra encontrar diamantes é preciso garimpar e no garimpo as pedras de pouco valor também são inevitáveis.
Ah... doutor. Também farei o “sacrifício” de ver peças da Mostra Contemporânea. Afinal, ver peças a rodo e não ver Silvia Lourenço em As Meninas (sou fã dela e do livro da Lygia Fagundes Telles) seria digno do analista de teatro (analista eu?) voltar ao analista.
Agora vou, doutor. Pra mim, tudo é festa. Digo, tudo é festival!
O que achou do Coxa, ontem, doutor?
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